
Filhos, o Senhor nos abençoe.
O comboio do progresso segue à frente, abrindo sendas de iluminação e prosperidade para todos.
Na diversidade humana, pensamentos e emoções criam ilhas, formando arquipélagos ideológicos, nesse ou naquele setor de trabalho e desenvolvimento cultural.
O princípio da liberdade individual no concerto evolutivo autoriza semelhantes manifestações, que se caracterizam por condição da alma humana em romagem para o Absoluto.
O serviço de Unificação, pois, nos círculos do Espiritismo, não pode perder isso de vista, já que dissensões naturais – aquelas que não surgem de paixões – precedem o estabelecimento definitivo das idéias novas que interessam ao progresso.
Fazer Bem
Todo coração convertido à Verdade sente, por uma mecânica natural e espontânea, o desejo do bem, que favorece de modo insuspeito a dinâmica das renovações para melhor.
Desse modo, estribado na assertiva evangélica que nos propõe: “não vos caseis de fazer bem”, renunciemos à idéia de que portamos a melhor visão ou a perfeita interpretação, para salientarmos, com humildade e despretensão, todo o bem que o serviço da Luz nos tem propiciado a cada instante.
A sabedoria se abriga, preferentemente, na estrutura mais harmônica e conciliadora, que já tenha superado a guerra das idéias e das opiniões, antecessora da verdade que anima e consola.
Exemplo de Allan Kardec
O notável Codificador do Espiritismo não serviu em suas fileiras em estruturação com a pretensão de mestre e maior autoridade, embora fosse comum da parte de companheiros e colaboradores, quando não de alguns Espíritos comunicantes, o reconhecimento de semelhantes credenciais em sua pessoa.
Amante da verdade e do bem, modestamente se curvou ante a vontade do Todo-Sábio, que colocava à sua frente todo um conjunto de testemunhos e fatos, que a ele cabia pesquisar e ordenar, facilitando iniciativas outras de quantos viessem contribuir, no tempo, sobre aqueles alicerces poderosos e viris.
Realizando, porém, com o sacrifício do próprio tempo e da própria vida, o que se tornaria a base segura e inquestionável de uma nova era para a Humanidade, jamais se permitiu estabelecer conflitos e celeumas em torno do que o Mundo Espiritual Superior, em nome do Cristo, lhe confiava de modo universal e ético.
Não logrou, de pronto, a unidade de pensamentos e ações que garantissem força e diretriz una à novel doutrina que surgia da conjuntura incomparável, mas oculto no pseudônimo que deixava à obra o seu mérito genuinamente espiritual, deu, de alma e coração, o que sentiu brotar de si ao contacto direto com as Forças Diretivas da Vida.
Allan Kardec, desse modo, torna-se referencial inapagável para todos os que fomos colhidos pelas claridades espíritas no tempo, devendo nós, por isso mesmo, seguir-lhe os passos decididos e lúcidos, fazendo bem tudo o que nos chegue às possibilidades em aprimoramento constante, certos de que na força da vivência sincera, a união se dará em favor de uma nova mentalidade humana.

(Do Livro: Anotações de Servidor. Pelo Espírito Bezerra de Menezes/psicografia de Wagner Gomes da Paixão)
