27 – A Caridade Maior

28/09/2006

Ao homem que alcançara o Céu, pedindo orientação sobre as tarefas de benemerência social que pretendia estender na Terra, o Anjo da Caridade falou compassivo:

- Volta ao mundo e cumpre, de boa vontade, as obrigações que o destino te assinalou!…

Para que te sintas de pé, cada dia, milhões de vidas microscópicas esforçam-se em tua carne, garantindo-te o bem-estar…

Cada órgão e cada membro de teu corpo amparando-te, abnegadamente, para que te faças abençoado discípulo da civilização.

Os olhos identificam as imagens que já podes perceber, livrando-te da desordem interior.

Os ouvidos selecionam sons e vozes para que não vivas desorientado.

A língua auxilia-te a expressar os pensamentos, enriquecendo-te de sabedoria.

As mãos realizam-te os sonhos, engrandecendo-te o caminho na ciência e na arte, no progresso e na indústria.

Os pés sustentam-te a máquina física para que te não arrojes à inércia.

A boca mastiga os alimentos para que te não condenes à inação.

Os pulmões asseguram-te o ar puro contra a asfixia.

O estômago digere as peças com que nutrirás o próprio sangue.

O fígado gera forças vitais que te entretêm a harmonia orgânica.

O coração movimenta-se sem parar, escorando-te a existência.

Vives da caridade de inúmeras vidas inferiores que te obedecem a mente.

Torna, pois, ao lugar em que o Senhor te situou e satisfaze as tarefas imediatas que o mundo te reserva!…

Caridade é servir sem descanso, ainda mesmo quando a enfermidade sem importância te convoque ao repouso;

é cooperar espontaneamente nas boas obras, sem aguardar o convite dos outros;

é não incomodar quem trabalha;

é aperfeiçoar-se alguém naquilo que faz para ser mais útil;

é suportar sem revolta a bílis do companheiro;

é auxiliar os parentes, sem reprovação;

é rejubilar-se com a prosperidade do próximo;

é resumir a conversação de duas horas em três ou quatro frases;

é não afligir quem nos acompanha;

é ensurdecer-se para a difamação;

é guardar o bom-humor, cancelando a queixa de qualquer procedência;

é respeitar cada pessoa e cada coisa na posição que lhes é própria…

E porque o Homem ensaiasse inoportunas indagações, o Anjo concluiu:

- Volta ao corpo e age incessantemente no bem!… Não percas um minuto em descabidas inquirições. Conduze os problemas que te atormentam o espírito ao teu próprio trabalho e o teu próprio trabalho liquidá-los-á… A experiência aclara o caminho de quantos lhe adquirem o tesouro de luz. Recolhe as crianças desvalidas, ampara os doentes, consola os infelizes e socorre os necessitados. Não olvides, pois, que a execução de teus deveres para com o próximo será sempre a tua caridade maior.

(in Cartas e Crônicas, pelo Espírito Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier)

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“Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto.” (Lucas, 6:44)


6 – ALPHONSUS DE GUIMARÃENS

25/09/2006

AFONSO Henrique da Costa Guimarães, poeta mineiro, natural de Ouro Preto. Nasceu aos 24 de julho de 1870 e desencarnou em 15 de julho de 1921. Magistrado, jornalista e poeta, notabilizou-se principalmente pela tonalidade mística do seu astro, qual se afirma em suas obras: Dona Mística, Septe­nário das Dores, Kiriale, Escada de Jacob, etc.

Santa Virgo Vírginum

Sobe da Terra, em ondas luminosas,

Um turbilhão de vozes e de lírios,

Buscando-vos nas Luzes Harmoniosas,

Oh! Virgem da Pureza e dos Martírios!

***

Imagens de turíbulos e rosas

Aromatizam todos os empíreos…

Há na Terra canções maravilhosas

Entre as luzes e as lágrimas dos círios.

*** 

Senhora, o mundo inteiro vos festeja,

Em magnificência ampla e radiosa,

Nos altares simbólicos da Igreja!

*** 

Eis, porém, que vos vejo nos caminhos,

Onde a vossa virtude carinhosa

Consola e ampara os fracos pobrezinhos…

(Parnaso de Além Túmulo – psicografia de Francisco Cândido Xavier)


Preparação Mediúnica

13/09/2006

Por mais que se fale em mediunidade, é forçoso referir-nos sempre à disciplina que só a Doutrina Espírita consegue orientar para o bem.

Potencialidades medianímicas são valores que pertencem a todas as criaturas, tanto quanto possuímos todos nós recursos virtuais para o desempenho dessa ou daquela tarefa.

Recordemos, porém, o aprendiz nos primeiros degraus de um instituto de alfabetização. Que ele sabe ler e escrever, decerto sabe, mas se pretende partir para realizações outras, além das bases primárias, há que se matricular voluntariamente na escola sem férias do maior esforço. Estudar e aprender sempre.

Assim também o médium nas etapas iniciais do desenvolvimento das energias psíquicas. Que ele pode comunicar-se com os desencarnados e receber-lhes a palavra, decerto pode, no entanto, se deseja partir na direção de tarefas maiores, além das base iniciais, há que se matricular na oficina sem férias do maior esforço. Estudar e servir sempre.

Se uma certidão de competência no campo das profissões liberais da Terra exige do candidato, desde o abecedário à cúpula universitária, nada menos de quinze a vinte anos de preparação, a fim de que se lhe ajustem os centros mentais para o começo do trabalho a desenvolver, a que título esperar que um médium se forme com segurança em poucos dias? Encarregar-se dos interesses Espirituais dos outros, conduzi-los, harmonizá-los, elevá-los ou socorrê-los será menos importante que traçar uma planta para o levantamento de uma ponte ou para construção de uma casa?

Não nos iludamos com respeito à formação mediúnica.

Desenvolvimento medianímico sem aperfeiçoamento do veículo para as manifestações espirituais, é o mesmo que trabalho sem orientação do operário, que resulta invariavelmente em cansaço inútil.

Convençamo-nos de que legiões de mediunidades, tanto quanto legiões de inteligências, enxameiam em toda parte, mas aprimorar umas e outras, doando-lhes proveito e responsabilidade, exige estudo e trabalho pacientes, para que se lhes efetue a educação. Ora, sabemos todos que educação não aparece sem disciplina, como disciplina não chega até nós sem sacrifício, e o sacrifício não é fácil para ninguém.

(do livro Mediunidade e Sintonia, de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier)


Provações

10/09/2006

“Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.”

 

        De acordo com o Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo XXIII, item 16, o pensamento de Jesus, nesta passagem, era este: “Não creais que a minha Doutrina se estabeleça pacificamente; ela trará lutas sangrentas, tendo por pretexto o meu nome, porque os homens não me terão compreendido, ou não terão querido compreender. Os irmãos, separados pelas suas respectivas crenças, desembainharão a espada um contra o outro e a divisão reinará no seio de uma mesma família (…). Vim lançar fogo à Terra para expungi-la dos erros e dos preconceitos (…) e tenho pressa de que o fogo se acenda para que a depuração seja mais rápida, visto que do conflito sairá triunfante a verdade.”

 

        Pensando nestas palavras do Mestre da Galiléia, esclarecidas pelo Mestre de Lyon, acompanhemos esta carta que o Irmão X nos enviou pela mediunidade de Chico Xavier no livro “Cartas e Crônicas”, no capítulo de n° 22, intitulado Provações:

    Indaga você das razões que induzem o Divino Poder a conservar uma pobre jovem, vestida de chagas, num catre humilde, relegada à assistência pública. E acrescenta: “Por que motivo expor uma infeliz menina a semelhante flagelação? Não haverá misericórdia para os seres que se arrastam na pobreza, quando há tantos sinais de socorro celeste, na casa dos felizes, quinhoados pelo conhecimento superior e pela mesa farta?”

    Não fora a reencarnação, chave do crescimento Espiritual e do soerguimento redentor para todas as esferas da vida terrestre, e as suas perguntas seriam realmente irrespondíveis.

    Entretanto, meu amigo, a existência humana, em seus fundamentos, obedece aos comezinhos princípios de lógica e harmonia que prevalecem na sementeira vulgar. Enquanto não cultivarmos a gleba planetária, em toda a sua extensão, seremos defrontados pela terra desventurada, aqui ou ali, povoada de serpes traiçoeiras ou vitimada por imensas feridas de erosão. Se não plantamos com acerto, não colheremos irrepreensivelmente, e, se nos despreocupamos da vegetação daninha ou inútil, viveremos incomodados pelos cipoais e pelos espinheiros de toda sorte.

    Espanta-se você, ante a dor, mas não se reporta aos débitos contraídos. Vê a cinza e não recorda o incêndio que a produziu.

    Em matéria de compromissos não resgatados e de sofrimentos que os seguem, somos surpreendidos pelos remanescentes de nossos velhos delitos, à maneira do crente em desespero, constrangido a recolher os pedaços dos próprios ídolos, que o tempo esfacelou em sua marcha invariável.

    É a Lei que se cumpre, harmoniosa e calma. E não me diga que há desequilíbrios nos processos em que funciona, porque, na atualidade do mundo, temos a considerar a questão da “massa” e o problema do “resíduo”.

    A evolução garante novos panoramas ao direito, mas ainda explodem guerras pela hegemonia da força; a ciência resolveu os enigmas da alimentação, entretanto, ainda há quem morre de fome pelas úlceras do duodeno; a liberdade triunfou sobre a escravidão, contudo, ainda existem milhões de encarcerados na superfície da Terra, e, se é indubitável que o duelo e o envenenamento fugiram dos costumes triviais nos povos mais cultos, as mortes violentas e deploráveis continuam, aos milhares por ano, na própria engrenagem da maquinaria do progresso. (…)

    No fundo, porém, meu amigo, tudo é reajuste benéfico.

    Imagine a vida na Terra como sendo um manancial imenso, de cujos bordos se derramam correntes cristalinas em todas as direções: é a “massa” progredindo, valorosa, na direção de sublimes horizontes.

    E pensemos em nós, indivíduos arraigados ainda ao mal, como sendo o lodo das margens ou a lama do fundo: é o “resíduo” estacionário, sofrendo a necessidade de grandes transformações.

    Semelhante quadro fornece pálida notícia da verdade.

    Assim sendo, que Deus nos fortaleça e abençoe no caminho da purificação.

        Finalizando, queridos amigos, lembremo-nos sempre da orientação do Mestre: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (Jo, 14:27)


Chico, Diálogos e Recordações…

09/09/2006

Maria Aparecida Vidigal

O livro, aqui apresentado, foi constituído a partir do recolhimento das memórias transmutadas em narrativas de Arnaldo Rocha, sobre as experiências que este viveu com Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo e região. Chico, Diálogos e Recordações… é uma obra leve e ao mesmo tempo impregnada de lições acerca de experiências vividas e lições apreendidas por seres que se uniram pelos laços espirituais no orbe terreno.O estilo de escrita é um híbrido de diálogos, narrativas e impressões daqueles que, durante quatro longos anos, encontravam-se para conversar sobre o médium Chico Xavier. De um lado, um jovem e dedicado obreiro da Seara Espírita, Carlos Alberto Braga Costa; do outro lado, a experiência evidenciada pelas cãs de um altivo senhor, trabalhador incansável da Doutrina Revelada por Jesus e Codificada por Allan Kardec, Arnaldo Rocha.A obra escrita em 21 capítulos traz à comunidade espírita momentos de reflexão e de aprendizado. Particularmente, sob este prisma, o livro é dadivoso em lições, pois nos aproxima e nos cientifica de que a evolução dos seres humanos nas lides terrenas é possível e inevitável, conforme asseverou Allan Kardec: “A Humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e instruem. (…) O progresso dos povos também realça a justiça da reencarnação.”O Espírito Chico Xavier, por exemplo, não só “desceu” de esferas superiores para trazer belas obras sobre as Revelações do Consolador; também, vivenciou através de milênios, experienciou vidas diversas de amores incontroláveis, sofrimentos, angústias e momentos de profundo encarceramento físico e espiritual, até, finalmente, poder apresentar-se nesta encarnação como um dos mais profícuos escritores da Doutrina dos Espíritos, sempre amparado por seus amigos espirituais e companheiros da lide terrena.Existe um provérbio chinês que diz: “A pedra não pode ser polida sem fricção, nem o homem ser aperfeiçoado sem provação”. Em Chico, Diálogos e Recordações.., a vida do narrador, assim como a de tantos outros amigos para sempre, é prova de que para atingirmos o aperfeiçoamento e a beleza do esplendor de uma pedra preciosa, precisamos, antes, percorrer um caminho de provações, dores e burilamento de nossas tendências. Este caminho que, a priori, apresenta-se difícil é suavizado pelo exemplo de vida de Jesus, pelos ensinamentos da Revelação Espírita e por nosso esforço individual de melhorarmos a cada dia um pouco mais. Arnaldo Rocha, nosso querido narrador, através de seu percurso de descrença, grandes batalhas, empreendimentos faraônicos e decepções nas mesmas proporções, chega, nesta encarnação, ainda materialista, até encontrar e perder o coração querido de Meimei, e, em seguida, reencontrar outro: Chico Xavier. A lição mais marcante deste espírito Rocha – os nomes não são ao acaso – não é observá-lo hoje, na beleza de seus 82 anos, na firmeza de suas convicções doutrinárias e na fidelidade para com seus amigos, muitos já no plano espiritual. A grandeza desse homem reside no caminho por ele percorrido ao longo das sucessivas vivências carnais, nos obstáculos superados e nas dores transmutadas em benções de aprendizado. Esse percurso narrado no livro nos remete à promessa de Jesus, quando nos diz que “nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá.”Vale destacar, ainda sobre esta bela obra, a importância da memória, como receptáculo das lembranças de Arnaldo Rocha. A memória, conforme nos elucida André Luiz “(…) é um disco vivo e milagroso. Fotografa as imagens de nossas ações e recolhe o som de quanto falamos e ouvimos… Por intermédio dela, somos condenados ou absolvidos de nós mesmos.” O redator dessas memórias, Carlos Alberto Braga Costa, com disciplina, responsabilidade, lealdade e fé fez-se instrumento indispensável para que hoje esta obra traduzida em diálogos e recordações estivesse ao alcance de todos nós.Em tempos remotos os homens transmitiam o conhecimento às gerações, através dos recursos da memória e da narrativa oral. Os sábios anciãos, acomodados em locais tranqüilos, relatavam aos jovens escolhidos as tradições e experiências de seu povo. E estas experiências, posteriormente lapidadas, eram transferidas por sucessivas gerações do porvir. Desse modo, verificamos a importância da memória para a evolução das primeiras civilizações do Planeta.Chico, Diálogos e Recordações…, guardadas as proporções espaciais e temporais, remete-nos aos tempos antigos, em que as revelações eram registradas nas almas dos aprendizes, que, posteriormente, transformavam-nas em conhecimento para que outros seres pudessem deles utilizar-se. Na Doutrina dos Espíritos, quando refletimos sobre o processo da evolução, como uma Lei Divina de progresso contínuo e ordenado, não podemos ter dúvidas de que as constantes encarnações são bênçãos sagradas que propiciam o aperfeiçoamento dos seres. Assim, o jovem recebe do ancião o conhecimento das tradições de seu povo, pelo registro da memória. Cada vez que vivenciamos uma nova oportunidade reencarnatória dinamizamos impressões guardadas em nossa consciência espiritual. Nesse sentido, através da obra narrada por Arnaldo Rocha e escrita por Carlos Alberto Braga Costa, somos convidados à leitura de experiências de vida, sem sensacionalismos, mas repletas de sabedoria. O livro, apesar de apresentar-se numa seqüência de 21 capítulos, pode ser lido conforme o leitor desejar, pois cada uma de suas partes está impregnada de amor à Doutrina dos Espíritos e fidelidade aos ideais cristãos deixados ao longo da história por Grandes Amigos Espirituais.


Em Homenagem a Kardec

06/09/2006

A Cultura atingira o apogeu da descrença,

Imergira-se o Templo em fumo de vanglória

E, embora fosse o Cristo a eterna luz da História,

Afligia-se a Terra em sombra espessa e imensa.

A Civilização padecia a presença

De soberano caos em púrpura irrisória,

Sob a pompa do verbo esfervilhava a escória

Da cegueira e do escárnio a erguer-se em treva densa.

Mas Kardec domina a enorme noite humana

E traz no Espiritismo a Fé que se engalana,

Ao fulgor da Razão generosa e sincera…

O Evangelho ressurge. O Céu brilha de novo.

E Jesus, retornando ao coração do povo,

Acende para o mundo o Sol da Nova Era.

Amaral Ornellas

(Soneto recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier.)

Fonte: Reformador de abril de 1957, p. 87.


Epitáfio de Benjamin Franklin

05/09/2006

(excertos de Páginas da Revue Spirite, de Reformador, fevereiro/2006, pág. 38) Um de nossos assinantes de Joinville (Haute-Marne) escreve-nos o seguinte:“Sabendo da boa acolhida que é reservada a todos os documentos que têm alguma relação com a Doutrina Espírita, apresso-me em vos dar conhecimento de uma passagem da biografia de Franklin, extraída da Mosaïque de 1839, página 287. (…) Aqui repousa, entregue aos vermes, o corpo de Benjamin Franklin, impressor, como a capa de um velho livro cujas folhas foram arrancadas, e cujo título e douração se apagaram. Mas nem por isto a obra ficará perdida, pois, como acredito, reaparecerá em nova e melhor edição, revista e corrigida pelo autor.” Um dos principais cidadãos de que mais se honram os Estados Unidos, era, pois, reencarnacionista. Não só acreditava em seu renascimento na Terra, como julgava aqui voltar melhorado por seu trabalho pessoal. É exatamente o que diz o Espiritismo. (…) Allan Kardec [Fonte: Revue Spirite (Revista Espírita) – agosto de 1865, p. 326-327, 1. ed. FEB]

O norte-americano Benjamin Franklin (nasceu no dia 17 de janeiro de 1706 em Boston e morreu na Filadelfia em 17 de abril de 1790) era um autodidata. De origem humilde, aprendeu a ler sozinho. Aprendeu Física lendo os trabalhos de Newton, nunca estudou numa universidade. Aprendeu diversos idiomas e tocava diversos instrumentos. Foi estadista, soldado, escritor, editor, filósofo, inventor e naturalista. Em 1752 inventou o pára-raios. Franklin também criou termos como bateria e condensador que ainda são empregados. Nos intervalos entre a política e a ciência experimental, Franklin arranjava tempo para desafios matemáticos. Inventou três “quadrados mágicos”, um tabuleiro cujas casas possuem números que somados em linha, coluna ou diagonal dão o mesmo resultado. Estes quadrados são similares aos que já existiam, só que mais difíceis de fazer, porque a soma nas diagonais é “entortada”. Além disso, a soma dos números dos quatro cantos com os das quatro casas centrais também dão o mesmo resultado. Em nossos tempos, Maya Ahmed, uma estudante de pós-graduação da Universidade da Califórnia, encontrou um caminho para gerar várias combinações de números que formam quadrados como o de Franklin. A fórmula foi capaz de gerar os próprios quadrados que Franklin havia descoberto, ninguém sabe como, pois no seu tempo ele não contava com computadores e a matemática sofisticada de hoje. Segundo Ahmed, é possível criar 228 trilhões desses quadrados mágicos de 8 linhas por 8 colunas. À primeira vista a descoberta pode parecer mera curiosidade, mas ela pode ser útil na construção de programas de computador para gestão de negócios em empresas aéreas, por exemplo, que precisam planejar seus vôos e escalar tripulações.


Allan Kardec: o professor e o codificador

04/09/2006

(excertos da apostila Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Programa Fundamental I – FEB)

Hippolyte Léon Denizard Rivail, depois conhecido como Allan Kardec, nasceu em Lião, na França, a 3 de outubro de 1804, de uma família antiga que se distinguiu na magistratura e na advocacia. Desde a primeira juventude, sentiu-se inclinado ao estudo das ciências e da filosofia. Mais tarde, como professor, tornou-se muito conhecido pelas obras didáticas publicadas e pelo trabalho realizado no campo da Educação. Através de sua carreira pedagógica, exercitou a paciência, a abnegação, o trabalho, a observação, a força de vontade e o amor às boas causas, a fim de melhor poder desempenhar a gloriosa missão que lhe estava reservada. Segundo Emmanuel, Allan Kardec renasceu com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador Prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus Cristo. (A Caminho da Luz, cap. XXII). Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a tomar da obra e o último a deixá-la, Allan Kardec sucumbiu, a 31 de março de 1869, quando se preparava para uma mudança de loca, imposta pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações. Diversas obras que ele estava quase a terminar, ou que aguardavam oportunidade para vir a lume, demonstrarão um dia, ainda mais, a extensão e o poder das suas concepções. Morreu conforme viveu: trabalhando. Sofria, desde longos anos, de uma enfermidade do coração, que só podia ser combatida por meio do repouso intelectual e pequena atividade material. Consagrado, porém, todo inteiro à sua obra, recusava-se a tudo o que pudesse absorver um só que fosse de seus instantes, à custa das suas ocupações prediletas. Deu-se com ele o que se dá com todas as almas de forte têmpera: a lâmina gastou a bainha (do livro Obras Póstumas, Biografia de Allan Kardec). Acerca da luminosa existência do mestre lionês, escreve o Irmão X (Espírito Humberto de Campos):(…) Allan Kardec, apagando a própria grandeza, na humildade de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia à Terra, inaugurando a era Espírita-cristã, que, gradativamente, será considerada em todos os quadrantes do orbe como a sublime renascença da luz para o mundo inteiro. (do livro Cartas e Crônicas, psicografia de Francisco Cândido Xavier). 


Trabalho Sacrificial

03/09/2006

(excertos)

O trabalho de sacrifício na Terra é sempre aquele recurso reparador de que se valem os princípios de causa e efeito  no reajustamento das criaturas. (…)

Convenhamos, desse modo, que a miséria e o pauperismo, a provação e o obstáculo podem ser categorizados à conta de doenças, exigindo o favor do médico.

Ainda assim, não será lícito esquecer que o tempo é fator indispensável entre a dívida e o resgate, entre o estrago e o reajuste. (…)

Observando os quadros aflitivos do mundo, em que provisórias desarmonias parecem valorizar a insenstatez e premiar o vício, recordemos que a ferida e a desolação, a luta e a carência representam elementos de cura definitiva do espírito que não será justo menosprezar. (…)

Estendamos mais longe a nossa observação e o nosso exame, na certeza de que a Bondade do Senhor é igual para todos, mas que os resultados de nossas próprias obras estabelecem a diferença temporária em que nos colocamos diante da justiça.

(do livro “Semeador em Tempos Novos”, ditado por Emmanuel a Francisco Cândido Xavier)

Queridos e bondosos amigos!

Tenhamos sempre presente em nossas mentes que o trabalho de reajuste perante a Lei Divina é esforço individual, exigindo de cada um o somatório de esforço necessário ao reequilíbrio das forças adulteradas pelas nossas incursões no mal, em nosso passado, às vezes não muito remoto…

Lutemos, pois, por nossa evolução, mas não nos esqueçamos das palavras do amoroso Rabi da Galiléia: “…não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento.” (Lc, 5:31-32)

Arrependimento não é autocomiseração; é luta ativa, no dia-a-dia, implementando em nossos menores atos a palavra do Evangelho, que se traduz para nós em verdadeiro manancial de Luz a iluminar os nossos passos rumo ao nosso crescimento moral.

Muita paz a todos!